Estudo da Torah

45 Vaet'chanan

Para chegar a uma reaproximação com o Sagrado e chegar a uma existência singular, é necessário sair de uma existência vazia de significado (yesh) e alcançar o melhor de nossas possibilidades (anochi). Para alcançar o estado de existência denominado “anochi” necessitamos estar bem cultivados nos dez fundamentos do Sagrado, as dez medidas da Árvore da Vida.
Nossa relação com o Sagrado deve ser uma relação de estabelecimento de medida. O que significa dizer que o nosso trabalho espiritual deve ser no sentido de buscar refletir em cada um de nós, as medidas do Sagrado.
Mas, em geral a nossa relação com o Divino se constrói ou no medo, ou é norteada por interesse em vantagens. Em geral, nós não temos respeito por nenhum Deus. Isso ocorre porque não temos relação com o Divino. Quase sempre é só medo ou vantagem! E por isso mesmo acaba sendo apenas uma relação com o próprio yesh (homem-coisa).
Para o yesh, a relação com o Divino não é de comoção ou inspiração é mesquinharia. Isso significa que boa parte do homem contemporâneo não possui intimidade (mitzvot) com o Sagrado. A relação com o Sagrado fica sendo uma relação de fantasia e imaginação. Deus, para a maior parte de nós é uma entidade fictícia, mas uma ficção que temos medo de abandonar. Esse medo é em geral construído no nosso desconforto diante da morte, da solidão e da dor. E com isso fazemos do Sagrado um mero serviçal de nossos caprichos, e a base do instinto de preservação do nosso “bem estar”.
A relação própria com o Divino consiste no fato dele ser doador de liberdade (conseguir manter-se numa medida de virtudes). O Sagrado não concede vantagens.
Mas, a superação dessa relação imprópria é possível. Para isso, é absolutamente necessário um reconhecimento das formas do nosso existir.
O yesh é o homem ligado às questões da matéria brutas. Este estágio representa a idéia da idolatria. Idolatria é essencialmente a aglutinação na primeira visão, a visão reduzida na matéria. O anochi é a solução, é o homem estético, que dá forma. Isso é necessário, pois a beleza exige a reunião entre o material e o espiritual. E também, homem não precisa fugir da matéria para firmar-se como espírito. Ele precisa conseguir dar forma a um pensamento.
A Estética é a fonte da liberdade. Espiritualidade é arte!