A idealização da ACADEMIA DE CABALÁ nasceu da visão do patriarca Abraão, a mais de 3700 anos, de um mundo em Unicidade, onde todos os seres humanos estivessem ligados e integrados entre si e com o mundo.
Abraão transmitiu seu conhecimento sobre os mistérios da Criação e da formação do Universo, através do Sêfer Yetsirá (Livro da Formação), a diversos discípulos, que por gerações mantiveram-nos guardados para que as futuras gerações sempre pudessem beber da fonte de tanta sabedoria.
Muito tempo depois, Akiva (século II), revela os profundos segredos do Sêfer Yetzirá para um número extraordinariamente grande de discípulos. Mas, perseguido pelo Império Romano, teve apenas dois de seus discípulos vivos: Shimon Bar Yochai e Meir Haness. Este último se refugiou em uma ilha do mediterrâneo e tansmitiu, mesmo que secretamente, estes ensinamentos a várias pessoas que por séculos continuaram mantendo todo este corpo de conhecimento vivo. Dez séculos depois, parte dessa linha de sucessão se estabeleceu em Barcelona, incluindo Baruch de Togarmi, que já em avançada idade, veio a conhecer o então jovem cabalista de Toledo AVRAHAM BEN SAMUEL ABULÁFIA (séc XIII) que recebeu de Togarmi os profundos segredos do Sêfer Yetzyrah. Abuláfia organizou e fundamentou todo o corpo de conhecimento de Akiva, denominando-a de Cabalá Profética ou, como ficou conhecida até os dias de hoje, CABALÁ CONTEMPLATIVA.
Avraham Abuláfia foi o cabalista que mais escreveu obras de Cabalá, e criou o sistema de formação de pequenos grupos denominados "Chug" (Círculo). Durante anos formou mais de vinte "Círculos" de estudo por diversos lugares na Europa. Após sua morte, seu discípulo Yehudá Albutini assumiu todo o trabalho que alguns anos depois passou para Moshé Chaim Toledo que estabeleceu uma última resistência dos "Círculos" abulafianos na Península Ibérica.
Anos mais tarde, Na Espanha do século XVI, o último representante de um Círculo abulafiano, Yacov Shemach, em função da pressão da inquisição, abandonou seu país e foi para Sfat (que já era o grande círculo de formação de cabalistas da época), em Israel. Shemach acaba influenciando profundamente as obras de Chaim Vital (grande cabalista de Sfat).
Shemach chegou a sair de Sfat e tentou formar uma Academia de Cabalá em Jerusalém, sem muito sucesso, e retornou para o ocidente indo para Marrocos, onde uma grande abertura para a Cabalá se mantinha fiel aos princípios de Abuláfia.
Antes de morrer, Yacov Shemach deixou a liderança do movimento com David Geller Ben Kadosh que retornou com as atividades dos "Círculos" de estudos tanto na França quanto em Portugal.
Em 1930, Yosef Mello Bastos (Belmonte- Portugal) recebeu a revelação de que devia iniciar a construção de uma obra espiritual de grandes proporções e com um profundo impacto social.
Pela primeira vez começava a se formar a idéia da Academia de Cabalá e seu modelo de trabalho idealizado nos ensinamentos de Abuláfia. Mello Bastos iniciou um "Círculo" de estudos denominado "Chug B'nei Tzeruf" (O Círculo dos filhos da Permutação) e logo depois passou para as mãos de David Benari, que finalmente transfere para o filho Daniel Benari, que estabeleceu o Brasil como, o local onde a Cabalá Contemplativa formaria sua base para a construção da tão sonhada Academia de Cabalá. Daniel construiu o "Chug Aron Habrit" (Círculo da Arca da Aliança) onde estudou o cabalista Mario Meir.
Finalmente, nos anos 90, Mario Meir assume a sucessão transmitida a ele por seu mestre Benari e realiza, no Rio de Janeiro, o sonho de fundar a Academia de Cabalá, ensinando os conceitos abulafianos para crianças, adultos, homens, mulheres, sem limite de idade nem distinção de raça, cor, etnia e religião.
Em pouco mais de uma década a Academia de Cabalá se expandiu rapidamente, abrindo Círculos pelo Rio de Janeiro, em outros estados e também fora do Brasil. Difundindo intensamente o conceito da contemplação e a meditação como forma de transformação social, sendo uma ferramenta para liberamos nossas potencialidades e fluirmos com toda a natureza, nos tornando pessoas centradas , criadoras e dinâmicas. Flexíveis, espontâneas e otimistas e com um profundo amor pela vida. Sustentadas pela certeza em algo mais amplo do que nós mesmos, indo longe em serviços humanitários e ecológicos. Homens e mulheres que enxergam a si mesmas e ao seu mundo com clareza e sem ilusões buscando verdade em todas as experiências. E assim, sendo capaz de influenciar todo o mundo a sua volta.